O coletivo PISEAGRAMA nasceu do questionamento de seus idealizadores sobre noções de urbanismo, aproveitamento dos espaços públicos e da relação cidadão/espaço. Com essas questões na cabeça começaram a promover ações onde o indivíduo é instigado a questionar o que é privado e o que é de domínio geral. Além de ações, o coletivo pretende lançar um periódico ainda sem data definida materializando estes questionamentos. Segue abaixo a primeira entrevista do Vorkurs feita por mim e respondida pela equipe do PISEAGRAMA e algumas imagens de uma ação feita pelo grupo em frente a faculdade de Arquitetura da UFMG.
VORKURS: De onde surgiu a ideia do periódico PISEAGRAMA?
PISEAGRAMA: A ideia surgiu da observação de todas aquelas plaquinhas de “proibido pisar a grama” (ou, pior ainda, “grama com substâncias tóxicas”) que vemos pela cidade.
VORKURS: Como o PISEAGRAMA vê os espaços urbanos hoje e quais são as principais mudanças que podem ser realizadas na esfera pública melhorando a relação cidadão/espaço?
O espaço urbano no Brasil é sui generis: a privatização progressiva de todas as esferas do público e a opção por soluções imediatistas e lucrativas; a compreensão dos espaços públicos pelas autoridades como lugares de obediência contemplativa regidos por uma concepção de ordem duvidosa e em detrimento do uso comum e da apropriação espontânea; a falta de discussão e participação efetiva na esfera pública que inibe negociações entre os seus agentes e usuários e reproduz formas instrumentais de violência e passividade.
PISEAGRAMA é uma manifestação concreta e pública contra a indiferença desenvolvimentista e a favor do reenvolvimento interessado, do interesse público.
VORKURS: A seu ver, como o periódico pode ajudar o cidadão a melhorar o seu contato com a cidade e o espaço público onde vive?
PISEAGRAMA: A revista quer reunir, contrapor e fazer emergir práticas e pensamentos que apontem para outras ideias de público: zonas de coexistência e camadas de ação invisíveis e promissoras; categorias espaciais indefinidas, difíceis de cartografar, intrinsecamente informais e que não estão dadas a priori, mas a espera de serem viabilizadas, experimentadas, tornadas rotina.
VORKURS: Além do periódico, existem outros projetos que o PISEAGRAMA pretende implantar para alertar os cidadãos sobre o seu convívio com a cidade? O PISEAGRAMA pretende ir além do discurso entre pessoas e lugares públicos? Como?
PISEAGRAMA: Acreditamos no discurso como uma forma de ação. Para além disso, a revista PISEAGRAMA pretende realizar periodicamente ações de provocação no espaço público. A árvore portátil, logomarca da revista realizada sobre carrinhos de picolé antes da primeira edição, lança essa série de ações.
VORKURS: Para o PISEAGRAMA, como a Arte e o Design podem ajudar o propósito do projeto e qual a verdadeira importância desses dois meios de comunicação e expressão numa cidade contemporânea?
PISEAGRAMA quer ser um espaço que emerge reunindo, confrontando e instigando o desenvolvimento de ferramentas críticas e ideias práticas na arte e no design.
Apostamos sobretudo na aproximação entre arte, design e política como motor prospectivo para a produção compartilhada de novas formas de vida urbana.
Para ampliar a potência transformadora da arte e do design e para injetar imaginação na política.
Obrigado a toda a equipe do coletivo e estamos aguardando a revista!







